Seres do laço

Os laços sociais foram durante milhares de anos, e ainda são determinantes a sobrevivência da nossa espécie, sendo imprescindível também para nossa própria saúde.

Quando nascemos, saímos de uma zona de conforto dentro da barriga, e temos que lidar com um mundo desconhecido. Não sabemos falar, andar, pedir, ou coordenar qualquer função de sobrevivência sozinhos.

Nascemos com instintos inatos de proteção e sobrevivência. Mas os instintos por si só não se sustentam, é preciso um outro ser para fornecer necessidades básicas para desenvolvimento do orgânico ao mental.

Imagem ilustrativa – Fonte: Pixabay

O laço social humano começa desde nascimento, com a pessoa que irá cuidar e reconhecer aquele indivíduo no mundo, vai prover desejos, alimentação, acalento, palavras, olhares…

Nossos órgãos não são estáticos, vão se desenvolvendo desde da barriga, e continuam durante a vida, em que se constrói tanto o cérebro órgão quanto a subjetividade de acordo com a genética, relação ambiental e a experiência de vida.

Através dessa conexão primordial, desse laço, o bebê pode apreender a linguagem e a língua humana, inicia a construção das estruturas psíquicas, e consequentemente da mente, o que permite a construção da própria consciência e realidade.

Nem tudo é teoria. Esse seria o ideal, que muitas vezes não é possível nas intempéries sociais que vivemos. Desde causas controláveis, e não controláveis, muitas vezes essa etapa de extrema importância para constituição psíquica sofre diversos vieses.

De toda forma é mais do que sabido, o ser humano não é um animal que em momento nenhum da vida, desde o nascimento até o envelhecer, sobrevive com saúde em isolamento social total. Isolamento quando ocorre é sinalizador de adoecimento.

Como Eugène Minkowski nos ensina, o laço social, é o elã que nos mantém conectados a realidade.

Somos seres sociais por natureza, e precisamos ser, para compartilhar da realidade que vivemos, ou criamos (não sendo do nosso controle) uma realidade a par da social, que satisfaz a nós mesmos, alheias ao funcionamento social.

Investir na sociedade é investir nos laços sociais, principalmente nas primeiras etapas da vida. Investir em qualidade e não quantidade, investir em pessoas e não dados sem contexto. Talvez, bem talvez, eventualmente os representantes do Estado e o povo lembrem que somos seres sociais e não capitais.

E isso não é de agora, e nem papo de esquerda ou socialismo. Não é o empirismo dos ideólogos. É conhecimento pela via epistemológica e ciência, estamos no século XXI e não XIX.

No mais, esse entendimento serve ao própria economia capitalista, já que a produtividade depende de saúde, e haja saúde, ou continuaremos uma sociedade doente, fingindo ou não interessada em saber os porquês.

Que nesse Natal possamos lembrar do seu simbolismo, do nascimento e renascimento, da importância do social, do individual ao coletivo.

Desejo um feliz natal, com muita paz e amor a todos!

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