O berço de uma nova Era

Estamos passando por intensas mudanças socioculturais. Experimentamos um “novo” funcionamento em rede, formando esse tecido de informações que nos conecta nessa imensa rede de comunicação chamada internet. As inovações tecnológicas dos últimos anos, trazem novas perspectivas para o funcionamento social e econômico.

A evolução do processamento de informação, poder de computação, gadgets, internet, big datas, internet das coisas(IOT), blockchain, inteligência artificial, aplicativos centralizados e descentralizados, dentre outras inovações tecnológicas trazem novas formas de integração e funcionamento tanto individual, quanto coletivo.

Desde a revolução agrícola, nossa espécie humana modificou sua natureza social, passando do funcionamento de tribos para comunidades e estruturas sociais cada vez maiores e mais complexas. Desde então passamos pela revolução científica, industrial e agora tecnológica.

Como consequência das estruturas organizacionais sociais ao longo do tempo fomos nos isolando socialmente. E nos últimos anos passamos a apreender e partilhar concepções da vida e do mundo compartilhados entre o imaginário real e o imaginário virtual. Assim a realidade social vem sendo menos compreendida, havendo um distanciamento entre os ideais sociais e a realidade social.

Passamos compartilhar um imaginário sem limites, extremamente prazeroso, onde tudo é possível, personalizado ao nosso gosto. Sendo que existe um grande hiato entre o ideal e o possível da vida real. Pouco a pouco estamos perdendo o lastreio do social real com base em interpretação de dados sem contexto, perpetuado por políticas públicas ineficazes, desigualdade social, energizadas pelas paixões da natureza humana.

Fonte: CCO – Pixabay



Novas mentes e culturas se formam, em novas configurações geográficas reais e virtuais. Passamos a confundir divergências políticas, ideologias, e conhecimento com esse fenômeno cultural que experimentamos em escala global. Ideólogos passam a ditar o ritmo do conhecimento da massa, trazem a “verdade” que sacia o desprazer do indeterminado humano.

Ainda é muito cedo para leituras e pressupostos das consequências dessas inovações nas formações e estruturas sociais, seja ao nível individual ou coletivo. Somente o tempo e muitos estudos de diferentes áreas do saber, poderão nos mostrar estimativas e consequências das transformações humanas, nessa assimilação das tecnologias no nosso funcionamento orgânico e psíquico.

Estamos no berço da novo funcionamento social e econômico. Mesmo assim é muito, e muito rápido! Qual será o limite? Haverá limite? Como as mentes da imagem se desenvolverão? Como serão os relacionamentos sociais dos laços reais frágeis com mentes auto referentes e narcísicas? Quanto ainda vamos nos distanciar do desconforto das relações reais? Somos um tempo de transição para melhor ou pior funcionamento coletivo? A descentralização das mídias digitais será um caminho? Como iremos reaprender a buscar conhecimentos a partir dos extremos do positivismo? A desigualdade social se dividirá pelo acesso ao mercado de trabalho ou pelo acesso a tecnologia? Quantos mestres irão surgir na falta de formações identitárias das massas e da nova economia do pensamento?

Podemos julgar da forma que for, não tem volta, já está entregue, com os alicerces cada vez mais fortes. Nos cabe compreender e tentar utilizar essas inovações a nosso favor.

São muitas questões, e poucas respostas. Mesmo assim, espero que eventualmente consigamos retornar aos trilhos da razão na busca e utilização do conhecimento humano.

Obrigado pela leitura!


Contudo, apesar da sua difusão, a lógica, a linguagem e os limites da Internet não são bem compreendidos. A velocidade da transformação tornou difícil para a pesquisa acadêmica acompanhar o ritmo da mudança com um suprimento adequado de estudos empíricos sobre os motivos e os objetivos da economia e da sociedade baseadas na Internet.

Manuel Castells

 

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